Parte II
Na segunda parte do livro O ESCRITOR E O PÚBLICO um escritor tem seu papel social ocupando uma posição relativa ao seu grupo profissional, mas o panorama é dinâmico porque a obra realizada exerce uma ação sobre o público no momento de sua criação e outra na posteridade : no Brasil, por exemplo, o público durante dois séculos foram os auditórios de igreja, academia, comemorações. Assim o escritor não existia enquanto papel social definido. Era uma literatura para ser ouvida e não lida. Assim as edições de livros eram poucas.
O autor vai fazendo toda uma correlação histórica e literária, desde Silva Alvarenga e a militância intelectual que em torno deles formou-se um grupo, o da Sociedade e Literatura e vai discorrendo sobre os principais nomes da juventude universitária como principais escritores daquela época que, distantes da família (geralmente filhos de grandes proprietários rurais) vinham para os centros urbanos para estudarem. , a Eclides da Cunha que o autor considera refinado e afirma que a nossa literatura não é hermética.
Letras e idéias do Período Colonial
Aqui interessa investigar como se formou uma literatura. Nesse processo formativo dois blocos se destacaram: um ainda não articulado presentes na Bahia em meados do séc. XVII de diretriz cultista ou conceptista; outro em que se esboça e se afirma a articulação, os neoclássicos ou árcades. E só a partir daí se pode considerar formada a nossa literatura.. A conquista da catequese, a defesa contra o estrangeiro, a obra de José de Anchieta, cartas, relatórios e aí pesava na composição da obra o destino que ela teria.
Cita o Marquês de Pombal como libertador e reformador, num país que sofrera o baque do ouro decadente apelou para as grandes obras públicas e celebrou a reforma da universidade e os escritores do Brasil tiveram destaque como a pequena época das luzes.
No tempo de D. João VI formou-se um ambiente receptivo para as idéias e houve medidas de modernização político-econômica e cultural . O tema trata e cita os quatro grupos a quem devemos os primeiros reconhecimentos: os matemáticos, os publicistas, os naturalistas, homens da ciência, da política, do clero ... Sintetizando: “As letras e idéias no Brasil colonial se ordenaram, pois, com certa coerência, quanto encaradas segundo as grandes diretrizes que as regeram Em ambas coexistiram a pura pesquisa intelectual e artística, e uma preocupação crescente pela superação do estatuto colonial.”
Literatura e Cultura de 1900 a 1945
Na formação de nossa Literatura se desenvolve uma tensão entre o dado local e os moldes herdados da tradição Européia e na superação destes obstáculos. A partir daí tenta compreender as três fases do nosso Modernismo.
Afirma que até então, o que tivemos de melhor em nossa Literatura e realizado de mais perfeito como obra e como personalidade literária foram Gonçalves Dias, Machado de Assis, Joaquim Nabuco e Mário de Andrade.
Entre os Parnasianos o autor afirma que o que eles têm de melhor é o seu Romantismo e que o Simbolismo é a projeção final do espírito romântico.
O que o Modernismo propunha, na sua fase inicial não teve lugar, porque ela não se separava marcadamente da tradição. A Semana de Arte Moderna foi realmente o catalisador da nova literatura graças ao seu dinamismo e ousadia de alguns protagonistas.
Caracteriza a nossa cultura como ambígua, pois somos um povo latino, com herança européia, eticamente mestiço, situado trópico, influenciado por culturas primitivas ameríndias e africanas. Assim, enquanto certos escritores procuravam exprimir a forma e a essência de seu país, outros mais arrojados pesquisavam novas formas de descobrir sentimentos ocultos. E cita os primeiros modernistas : Graça Aranha e Guilherme de Almeida e outras correntes e linhas de pensamento.
Ao lado da ficção, os ensaios histórico-sociológico é o desenvolvimento mais interessante do período.
Os anos 30 de intensa fermentação espiritualista, do simbolismo da pregação católica e do nacionalismo resultaram várias tendências estéticas e ideológicas.
As posições políticas de grandes escritores, não só entre direita e esquerda tornaram os escritores cada vez mais sectários.
Por que, em nossos dias acontece a diversidade de tendências: houve a queda do movimento editorial com a voga avassaladora da rádio-novela e do rádio-teatro, do cinema e do strips; o conflito entre a inteligência participante e a inteligência contemplativa cada vez mais estritas e inconciliáveis.
Depois dessa exposição literária, o autor volta à análise sociológica e aborda a função da literatura na cultura brasileira e a sua posição atual.. Cita Euclides da Cunha e Gilberto Freire e Emílio Willems como poderosos ímãs da literatura com a tendência sociológica. Dessa forma a literatura contribuiu com eficácia maior do que se supõe para formar uma consciência nacional e pesquisar a vida e os problemas brasileiros.
Em “Na evolução de uma comunidade” o capítulo trata a participação na visa social e espiritual da cidade de São Paulo porque lá a literatura se manifestou de modo diferente do que nos outros estados.
Em 18001 o ambiente era culturalmente tão pobre não chegando a contribuir diretamente para as luzes da pátria.
Em Minas a vida urbana era bastante intensa e permitiu a floração brusca e magnífica nas artes. Em São Paulo o sociólogo vai traçando, num processo evolutivo, cinco momentos socialmente condicionados desde estes primórdios toscos até a atividade intensa de nossos dias:
Um 1º grupo virtual com Pedro Taques de Almeida Paes Leme, Frei Gaspar da Madre de Deus e Cláudio Manoel da Costa estiveram congregados espiritualmente e mantiveram um intercâmbio e foram os 1ºs a dar expressão intelectual coerente ao sentimento localista dos naturais de São Paulo colaborando conscientemente nesse sentido.
Um 2º grupo formado por José de Bonifácio, Américo Elísio em torno da Revista “Sociedade Filomática que reuniu alunos e jovens professores e mostraram como a convivência acadêmica propiciou em São Paulo a formação de agrupamentos, caracterizados por idéias estéticas, manifestações literárias e atitudes, dando lugar a expressões originais.
O 3º grupo que se justapõe à comunidade.: No flanco da comunidade paulista cresceu e se firmou, com características próprias, o grupo diferenciado de acadêmicos que não viam os acadêmicos com bons olhos: de passagem da adolescência à maturidade, quase todos moravam em pensões e longe das famílias, aquém da vida prática, nutridos de idéias diferentes, na pequena e pacata São Paulo; tensões freqüentes entre estudantes e a comunidade. E é das agremiações literárias, repúblicas, jornais e revistas que se serve a formação literária, daí o caráter complexo e multifuncional do grupo estudantino no que se refere à literatura.
O 4º grupo a comunidade absorve o grupo.A cidade é outra. A literatura já não depende mais dos estudantes para sobreviver, nem eles precisam mais da literatura como expressão sua, para equilibrar-se na sociedade. Deixando de ser uma literatura grupal, ela vai tornar-se manifestação de uma classe – a nova burguesia, recém-formada pelos profissionais liberais, nas revistas, nos jornais, nos salões que então aparecem. Francisca Julia e Silvio de Almeida, Júlio Ribeiro
O 5º grupo – desprende-se da comunidade
Na famosa Semana de Arte Moderna de 1922, de uma lado os conservadores e de outro os renovadores.
O autor vai fazendo toda uma correlação histórica e literária, desde Silva Alvarenga e a militância intelectual que em torno deles formou-se um grupo, o da Sociedade e Literatura e vai discorrendo sobre os principais nomes da juventude universitária como principais escritores daquela época que, distantes da família (geralmente filhos de grandes proprietários rurais) vinham para os centros urbanos para estudarem. , a Eclides da Cunha que o autor considera refinado e afirma que a nossa literatura não é hermética.
Letras e idéias do Período Colonial
Aqui interessa investigar como se formou uma literatura. Nesse processo formativo dois blocos se destacaram: um ainda não articulado presentes na Bahia em meados do séc. XVII de diretriz cultista ou conceptista; outro em que se esboça e se afirma a articulação, os neoclássicos ou árcades. E só a partir daí se pode considerar formada a nossa literatura.. A conquista da catequese, a defesa contra o estrangeiro, a obra de José de Anchieta, cartas, relatórios e aí pesava na composição da obra o destino que ela teria.
Cita o Marquês de Pombal como libertador e reformador, num país que sofrera o baque do ouro decadente apelou para as grandes obras públicas e celebrou a reforma da universidade e os escritores do Brasil tiveram destaque como a pequena época das luzes.
No tempo de D. João VI formou-se um ambiente receptivo para as idéias e houve medidas de modernização político-econômica e cultural . O tema trata e cita os quatro grupos a quem devemos os primeiros reconhecimentos: os matemáticos, os publicistas, os naturalistas, homens da ciência, da política, do clero ... Sintetizando: “As letras e idéias no Brasil colonial se ordenaram, pois, com certa coerência, quanto encaradas segundo as grandes diretrizes que as regeram Em ambas coexistiram a pura pesquisa intelectual e artística, e uma preocupação crescente pela superação do estatuto colonial.”
Literatura e Cultura de 1900 a 1945
Na formação de nossa Literatura se desenvolve uma tensão entre o dado local e os moldes herdados da tradição Européia e na superação destes obstáculos. A partir daí tenta compreender as três fases do nosso Modernismo.
Afirma que até então, o que tivemos de melhor em nossa Literatura e realizado de mais perfeito como obra e como personalidade literária foram Gonçalves Dias, Machado de Assis, Joaquim Nabuco e Mário de Andrade.
Entre os Parnasianos o autor afirma que o que eles têm de melhor é o seu Romantismo e que o Simbolismo é a projeção final do espírito romântico.
O que o Modernismo propunha, na sua fase inicial não teve lugar, porque ela não se separava marcadamente da tradição. A Semana de Arte Moderna foi realmente o catalisador da nova literatura graças ao seu dinamismo e ousadia de alguns protagonistas.
Caracteriza a nossa cultura como ambígua, pois somos um povo latino, com herança européia, eticamente mestiço, situado trópico, influenciado por culturas primitivas ameríndias e africanas. Assim, enquanto certos escritores procuravam exprimir a forma e a essência de seu país, outros mais arrojados pesquisavam novas formas de descobrir sentimentos ocultos. E cita os primeiros modernistas : Graça Aranha e Guilherme de Almeida e outras correntes e linhas de pensamento.
Ao lado da ficção, os ensaios histórico-sociológico é o desenvolvimento mais interessante do período.
Os anos 30 de intensa fermentação espiritualista, do simbolismo da pregação católica e do nacionalismo resultaram várias tendências estéticas e ideológicas.
As posições políticas de grandes escritores, não só entre direita e esquerda tornaram os escritores cada vez mais sectários.
Por que, em nossos dias acontece a diversidade de tendências: houve a queda do movimento editorial com a voga avassaladora da rádio-novela e do rádio-teatro, do cinema e do strips; o conflito entre a inteligência participante e a inteligência contemplativa cada vez mais estritas e inconciliáveis.
Depois dessa exposição literária, o autor volta à análise sociológica e aborda a função da literatura na cultura brasileira e a sua posição atual.. Cita Euclides da Cunha e Gilberto Freire e Emílio Willems como poderosos ímãs da literatura com a tendência sociológica. Dessa forma a literatura contribuiu com eficácia maior do que se supõe para formar uma consciência nacional e pesquisar a vida e os problemas brasileiros.
Em “Na evolução de uma comunidade” o capítulo trata a participação na visa social e espiritual da cidade de São Paulo porque lá a literatura se manifestou de modo diferente do que nos outros estados.
Em 18001 o ambiente era culturalmente tão pobre não chegando a contribuir diretamente para as luzes da pátria.
Em Minas a vida urbana era bastante intensa e permitiu a floração brusca e magnífica nas artes. Em São Paulo o sociólogo vai traçando, num processo evolutivo, cinco momentos socialmente condicionados desde estes primórdios toscos até a atividade intensa de nossos dias:
Um 1º grupo virtual com Pedro Taques de Almeida Paes Leme, Frei Gaspar da Madre de Deus e Cláudio Manoel da Costa estiveram congregados espiritualmente e mantiveram um intercâmbio e foram os 1ºs a dar expressão intelectual coerente ao sentimento localista dos naturais de São Paulo colaborando conscientemente nesse sentido.
Um 2º grupo formado por José de Bonifácio, Américo Elísio em torno da Revista “Sociedade Filomática que reuniu alunos e jovens professores e mostraram como a convivência acadêmica propiciou em São Paulo a formação de agrupamentos, caracterizados por idéias estéticas, manifestações literárias e atitudes, dando lugar a expressões originais.
O 3º grupo que se justapõe à comunidade.: No flanco da comunidade paulista cresceu e se firmou, com características próprias, o grupo diferenciado de acadêmicos que não viam os acadêmicos com bons olhos: de passagem da adolescência à maturidade, quase todos moravam em pensões e longe das famílias, aquém da vida prática, nutridos de idéias diferentes, na pequena e pacata São Paulo; tensões freqüentes entre estudantes e a comunidade. E é das agremiações literárias, repúblicas, jornais e revistas que se serve a formação literária, daí o caráter complexo e multifuncional do grupo estudantino no que se refere à literatura.
O 4º grupo a comunidade absorve o grupo.A cidade é outra. A literatura já não depende mais dos estudantes para sobreviver, nem eles precisam mais da literatura como expressão sua, para equilibrar-se na sociedade. Deixando de ser uma literatura grupal, ela vai tornar-se manifestação de uma classe – a nova burguesia, recém-formada pelos profissionais liberais, nas revistas, nos jornais, nos salões que então aparecem. Francisca Julia e Silvio de Almeida, Júlio Ribeiro
O 5º grupo – desprende-se da comunidade
Na famosa Semana de Arte Moderna de 1922, de uma lado os conservadores e de outro os renovadores.
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