Com o objetivo de focar aspectos da vida artística e literária nos seus diferentes momentos.
Sociólogos, psicólogos e outros julgaram poder explicar apenas com recursos das suas disciplinas a totalidade do fenômeno artístico. Daí as reduções esquemáticas.
Dialética: A sociologia influencia a arte, a obra cria o seu público
Para o sociólogo moderno, tendências marxistas e sectárias e católicos rígidos, ambos condenaram obras que não correspondam aos seus valores e ideologias, mas o autor afirma que ambas as tendências mostraram que a arte é social nos dois sentidos, depende da ação de fatores do meio e produz sobre os indivíduos um efeito prático, modificando a sua conduta e concepção de mundo, ou reforçando neles o sentimento de valores sociais.
A relação entre autor e público e a influência da arte cria dois fenômenos sociais: a integração e a diferenciação. A 1ª apresenta fatores que acentuam no indivíduo ou no grupo a participação nos valores comuns da sociedade. A 2ª ao contrário, acentua peculiaridades, as diferenças existentes em uns e outros. A arte só pode sobrevier equilibrando as duas tendências.
Aposição do artista
A posição social do artista no aspecto coletivo e individual: em 1º lugar um agente individual toma a si a tarefa de criar ou apresentar a obra; em 2º lugar ele é ou não reconhecido como criador ou intérprete pela sociedade e o destino da obra está ligado a esta circunstância; em 3º lugar ele utiliza a obra, assim marcada pela sociedade, como veículo das suas aspirações individuais mais profundas.
Na Idade Médias, os artistas eram contratados ( pelos nobres, aristocratas, etc) mediante pagamentos, para, através das cantigas, enaltecerem pessoas importantes.
Na China, os mandarins exerciam um papel de peritos na caligrafia, uma arte verdadeira, pois exprimiam o verdadeiro estilo de casta. Este estilo constituiu um fator de diferenciação grupal, como requintado instrumento acessível a poucos.
A configuração da obra
Na obra o conteúdo é a mensagem contida e a forma seria o livro, a estátua, a tela, o piano... O autor faz um parâmetro entre a arte dos primitivo e vai relatando à medida em que as sociedades se diferenciam e crescem e os vários públicos das artes.
O autor adverte que o público pertence a uma massa cujas reações de aceitação ou de repúdio a uma obra obedecem condicionamentos do momento e do meio , é a ditadura da moda. Mas essa reação é perfeitamente sincera, pois tendemos a introjetar as normas sociais que nos dão satisfação equivalente às das descobertas, tanto positivas quanto negativas. É a nossa reação no reconhecimento coletivo.
Como a arte é um sistema simbólico de comunicação inter-humana, ela presupõe o jogo permanente de relações entre autor, obra e público.
Estímulos da criação literária
Considerando as diferenças que há entre os indivíduos, os grupos, as idades, as civilizações, o autor considera que a essência é a mesma e faz uma analogia entre os primitivos e a civilização do século XX: os povos primitivos, embora nos pareça absurdo, distinguiam as diferenças entre o lógico e o mágico. Eles aplicavam rigorosamente a sua técnica, mas criam também na eficácia indispensável do ritual mágico. O autor compara-nos hoje como se um historiador do ano 3000 dissesse de nós que, ao lançarmos nossos navios com a mais alta tecnologia que a engenharia pudesse aplicar, seguida da bênção de um sacerdote e a quebra ritual duma garrafa de vinho, estaríamos perdurando a prática dos primitivos, caminham lado a lado o mágico e o lógico.
A grandeza de uma literatura, ou de uma obra, depende de sua relativa intemporalidade e universalidade, e estas dependem, por sua vez da função total que é capaz de exercer, desligando-se dos fatores que a prendem a um momento determinado e a um determinado lugar. A função social está na satisfação de necessidades espirituais e materiais, na manutenção ou mudança de uma certa ordem na sociedade.
O sociólogo e o etnólogo estão melhor aparelhados porque dispõem de recursos que permitem chegar à função social da arte. Para eles a estética existe na arte primitiva e na arte culta., é uma questão de gosto pela satisfação emocional. Compara obras e temas como os poemas de Shelley e de Suer considerando os estímulos imediatos da vida social, sobretudo os fatos da infra-estrutura.
Os capítulos V e VI falam da função estética do alimento na poesia primitiva e na erudita: para os primitivos: nutritiva; para os eruditas: o leite, pão e vinho são alimentos símblicos.
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