
“O RITMO do livro é muito bonito. E a história é ‘subjetiva’ sem a pieguice do ‘subjetivo’. O livro todo parece filmado em luz e rua. Por isso às vezes dá a impressão desconcertante da falta absoluta de ‘literatura’ – e então se sente que este é o mundo até sofisticado da literatura. O estratagema é quase uma ausência de estratagema.” Clarice Lispector
. . . Em tudo Clarice estava correta sobre o livro. O encontro marcado é um romance que nos passa em suas 284 páginas essa idéia de filmagem da vida de Eduardo Marciano que acontece basicamente nas cidades Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Isso se dá por Fernando Sabino ter escolhido como seu estratagema principal, como diz Clarice, a própria ausência de um estratagema. Tal acontecimento se intensifica com um final sem final.
. . . O narrador onisciente neutro retrata a vida de uma juventude que vivia na década de quarenta que está desesperadoramente e incansavelmente em busca de si mesma. Pensamentos como a verdadeira razão da vida estão constantemente no pensamento de Eduardo e de seus amigos Hugo e Mauro. Uma narração bem corriqueira e que muito possivelmente poderia se passar pela vida que qualquer adolescente atual. E é exatamente nesse ponto que a obra se torna tão bela e incomum. “História de adolescência e juventude, de prazeres fugidos, desespero, cinismo, desencanto, melancolia, tédio [...] num mundo desorientado” e acrescento que é história de amores não vividos, crimes não cometidos, metas não alcançadas e promessas não cumpridas. História de encontros e desencontros. História de uma brilhante boêmia intelectual com seus dramas interiores quem evoluem expondo os equívocos fundamentais que vinham frustrando sua existência e sufocando sua vocação.
. . . “De tudo ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar”. É a história atormentada de toda uma geração naquilo que ela tem de essencialmente dramático.
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